Exploração e Ilusão: A Realidade dos Motoristas de Aplicativo

Crédito: agenciabrasil.ebc.com.br

Motoristas de aplicativo no Brasil enfrentam uma rotina de exploração, caracterizada por longas jornadas de trabalho, que se distancia da imagem de empreendedores autônomos. A análise é parte do livro “O que os coaches não te contam sobre o futuro do trabalho”, de Leonardo Sakamoto e Carlos Juliano Barros. Os autores argumentam que esses trabalhadores foram enganados.

O livro, lançado em São Paulo e Brasília, e apresentado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com sessão de autógrafos prevista no Rio de Janeiro, aborda a questão dos ganhos desproporcionais. As plataformas retêm grande parte dos recursos, pagando menos do que os motoristas e entregadores reivindicam. Além disso, esses trabalhadores não têm direitos garantidos, nem recolhem tributos para aposentadoria ou seguro em caso de imprevistos.

A obra aponta que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) tem sido alvo de críticas injustas, sendo responsabilizada por problemas como salários baixos, quando a culpa recai sobre os empregadores e o Congresso Nacional.

Sakamoto identifica um ataque sistemático aos direitos trabalhistas, com influenciadores e políticos culpando a CLT pelos problemas. O livro reflete sobre textos produzidos nos últimos quatro anos para os sites “Repórter Brasil” e “UOL”, abordando a exploração no campo profissional. Ele avalia que diferentes categorias sofrem exploração e desrespeito às leis, gerando preocupações em diversas áreas.

O pesquisador alerta para os possíveis danos causados pela inteligência artificial e pelas práticas de precarização, como a contratação de pessoas físicas como pessoas jurídicas (pejotização) e a figura do freelancer fixo, que tem deveres de contratado, mas sem os direitos correspondentes.

Além disso, a fórmula de desenvolvimento de grandes conglomerados não eliminou o trabalho escravizado e o uso de crianças em espaços laborais. Para Sakamoto, este é um momento crucial para garantir dignidade no ambiente de trabalho e erradicar a escravidão contemporânea no Brasil.

O autor defende que os trabalhadores precisam se mobilizar para enfrentar o cenário de exploração. Ele vê a tecnologia como uma ferramenta ambígua, que pode tanto precarizar quanto mobilizar os trabalhadores.

No caso dos motoristas de aplicativo e entregadores, a luta atual é pela garantia de um preço mínimo da corrida e de condições de trabalho justas. Os trabalhadores estão se mobilizando por meio das redes sociais, buscando superar o abalo sofrido pelos sindicatos com a reforma trabalhista.

Sakamoto lamenta que, apesar da estrutura de proteção existente na Justiça do Trabalho e no Ministério Público do Trabalho (MPT), há um pensamento escravagista presente nas três esferas de poder. Ele critica as reações negativas da elite financeira à PEC das Domésticas, que garantiu direitos importantes a essa categoria profissional.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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