Descoberto por historiador, Insley Pacheco ganha livro

Crédito: agenciabrasil.ebc.com.br

Rio de Janeiro, meados do século XIX. Em pleno período imperial, um jovem fotógrafo português, Joaquim José Insley Pacheco, instalava seu estúdio na Rua do Ouvidor, marcando o início de uma nova forma de retratar o Brasil. Mais de um século depois, sua obra é resgatada em “O Espelho de Papel – A fotografia de Joaquim Insley Pacheco na coleção do IHGB”, um livro com 160 páginas, texto do historiador Daniel Rebouças e apresentação de Pedro Corrêa do Lago.

A publicação, resultado de uma parceria com o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, reúne mais de 400 imagens que compuseram um álbum do século XIX, combinando memórias, luz e papel. Segundo Rebouças, a coleção do IHGB preserva um importante legado de Insley Pacheco para a fotografia no país. Sua pesquisa revelou que foi Insley Pacheco quem introduziu as principais inovações técnicas da época, como a “carte de visite” e as fotografias sobre porcelana, vidro e marfim.

Imigrante português, órfão desde a infância, Insley Pacheco passou por diversas cidades brasileiras antes de se estabelecer no Rio de Janeiro. Em Nova York, foi aprendiz de Mathew Brady, fotógrafo da Guerra Civil Americana, onde aprendeu a importância do retrato como vitrine e poder. Ao retornar ao Brasil, agregou “Insley” ao seu nome profissional e inaugurou seu estúdio, tornando-se um retratista da elite, políticos, artistas e personalidades que buscavam na fotografia uma forma de perpetuação.

Em 1857, foi nomeado fotógrafo oficial da Casa Imperial, e D. Pedro II reconheceu em seu trabalho a capacidade de traduzir o espírito da época. Seus retratos se tornaram narrativas de elegância e autoridade, transformando a fotografia em um espelho social.

Além da fotografia, Pacheco também se dedicou à pintura e à aquarela, mantendo amizade com artistas como Arsênio da Silva e Antônio Parreiras. Sua obra transita entre as artes visuais e o ofício, entre o documento e a invenção.

A vida de Insley Pacheco foi marcada por momentos de sucesso e desafios pessoais. Apesar das perdas familiares, continuou criando e expondo suas obras até próximo de sua morte, em 1912. Na Exposição Universal de Chicago, em 1893, representou o Brasil com daguerreótipos e retratos, e em 1900, participou das celebrações dos 400 anos do descobrimento do Brasil.

Para Daniel Rebouças, estudar Insley Pacheco é revisitar a gênese da cultura visual brasileira. Seu livro resgata não apenas a trajetória de um artista, mas também o retrato de um país em formação, que aprendeu a se ver através da fotografia.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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